Insignificância filosófica

Filosofia

No contexto da atualidade, as ciências empíricas de aplicação prática ganham a cena e dominam a nova configuração ascendente, no sentido de haver quase completa valorização dessas ciências voltadas para a estratificação delimitada de diferentes áreas do conhecimento. Em contrapartida, se convive com a desvalorização das ciências humanas, infelizmente pela não atração, ou pela visibilidade ínfima acerca das questões que dizem respeito às humanidades.

Dessa forma, dentre tantas ciências experimentais e elaboradas para a obtenção de respostas e de lucro, a perspectiva da gênese de todas elas encontra eixo na filosofia que possui complexa definição de identificação, uma vez que a expressão de um conceito básico não satisfaz em poucas vertentes sua significação que por si só é possuidora de uma abrangência ampla, que dialoga com a totalidade de todas as coisas.

É intrigante o fato de a filosofia ser a mãe das ciências e, ao mesmo tempo, se tratando da realidade hodierna, se encontrar consideravelmente submersa na desvalorização e na insignificância. Por outro lado, a filosofia se expressa mesmo quando se põem em prática comportamentos em que não se tem a ideia direta em que ali há filosofia, e este é um exercício positivo e, felizmente, tende sempre a acontecer nos mais diversos ambientes sociais.

Desse modo, aqui se objetiva a exposição desse estranho movimento que acontece na sociedade de hoje. As questões de primordial importância e fundamentais da vida humana, encontram espaço adequado e propício para a discussão, para o debate e para a articulação na filosofia, ou seja, é uma necessidade direta ou indireta, uma vez que a atividade é posta em prática, inerente ao ser humano. Por isso, a partir do momento em que a filosofia não tem o espaço que deveria ter na vida humana, deve-se considerar o fato como grave e à espera de questionamentos englobados no mesmo vínculo a fim de que se obtenham formulações adequadas e conclusões convictas que visem às consequências disso e apontem, sobretudo caminhos.

Diante disso, existe a defesa de que há uma significativa popularização da filosofia nos últimos tempos. De fato, não é uma possibilidade descartável, entretanto, o meio idealizador de tal popularização são os veículos midiáticos, e aqui reside uma questão de aparência contraditória. Mas a contradição se esclarece, levando em conta que o papel da mídia ajudou e ajuda na expansão de divergentes temas, e isso teve como consequência a feliz vulgarização de assuntos que anteriormente possuíam caráter de registro. Assim sendo, o lugar da filosofia precisa estar reservado na vida humana, e consequentemente na sociedade, para que, assim, existam e se aprimorem questões construtoras de um mundo pensante.

FelipeFelipe Augusto Ferreira Feijão, Estudante de Filosofia na Faculdade Católica de Fortaleza – FCF.
Fonte: Jornal O ESTADO (Opinião) – quarta-feira, 27 de janeiro 2016. – Fale com o autor: faffeijao@gmail.com

Interesses sociais

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Após um ano consideravelmente conturbado no que diz respeito ao cenário político, o País passou por ajustes de gastos visando a estabilidade econômica e a volta do crescimento, pois a instabilidade política mostrou seu reflexo num momento difícil para a economia do País.

Aparenta ser uma contradição o fato de que a longa luta do partido que governa o País, provinda da busca da realização dos interesses sociais, hoje se encontra à frente do País, no entanto, dirigindo uma conjuntura de crises e de instabilidades, fruto da corrupção que, no momento de transição da euforia de ascensão da classe menos favorável, tomou conta da cena inovadora.

Todos os benefícios explicitados em políticas sociais que ofertam melhores condições de vida para os que estão na vulnerabilidade devem ser levadas em conta, no sentido da não satisfação e contentamento com a estrutura mais profunda que precisa de mudanças.

O assistencialismo deve possuir um caráter constante e oferecer segurança aos atendidos. Porém, tanto o governo quanto a população são responsáveis pela melhor adequação dos parâmetros sociais concernentes a essas questões.

Em meio a situações de crises, o foco da efetivação dos interesses sociais e das reformas estruturais que são sinônimos fica à mercê da volta do rumo favorável do País. Com efeito, é notória a necessidade urgente de o Brasil amadurecer as questões que assolam o sistema partidário.

Infelizmente, mesmo com positivas mudanças no âmbito do cenário social das classes, ainda há muito o que ser feito para a efetivação dos diretos básicos inerentes à dignidade humana. E são exatamente os diretos sociais previstos na Constituição que precisam ganhar efetivação social.

Dessa forma, haverá a valorização do regime democrático com expressões constitucionais respaldadas por vínculos estatais, dos movimentos históricos que se engajaram na transformação do momento político outrora vivido pelo País.

Diante das realidades difíceis, devem sobressair os ideais primeiros que nortearam a conquista do poder em mandatos passados, para que, assim, retomados os alicerces esquecidos, aconteça a desenvoltura processual de superação dessa situação de desesperança sociopolítica.

FelipePor: Felipe Augusto Ferreira Feijão
Estudante de Filosofia na Faculdade Católica de Fortaleza (FCF)  Contato do Autor: faffeijao@gmail.com
Fonte:  Publicado no Jornal O Povo (Jornal Hoje / Opinião), Fortaleza, 12/01/2016

Padre cria canal no Youtube para falar sobre a Misericórdia

Padre Rafhael Maciel - frame - divulgacao

Padre nomeado pelo Papa para ser Missionário da Misericórdia deseja
que mensagem sobre a Misericórdia se espalhe  pela internet

Padre Rafhael Maciel, nomeado Missionário da Misericórdia para a Arquidiocese de Fortaleza, gravou uma série de vídeos para internet sobre o Jubileu Extraordinário da Misericórdia  veiculados no canal recém criado pelo sacerdote chamado de Jubileu 16.

Neste primeiro Vídeo  da Misericórdia, como será chamada a série, o sacerdote  explica o que é o Jubileu e nos faz um convite a viver esse tempo de conversão com profundidade. Também explica que para tirar dúvidas sobre o jubileu basta que o fiel escreva pergunta no Facebook ou Twitter usando a hastag #Jubileu16.

Os vídeos foram gravados em HD pela LF Studios tendo como locação o Seminário Propedêutico da Arquidiocese de Fortaleza. O objetivo é que as pessoas esclareçam suas dúvidas e conheçam mais sobre este tempo de graça. São vídeos rápidos que podem ser repassados em reuniões de grupos, pastorais e pelas redes sociais.

ASSISTA O PRIMEIRO VÍDEO SOBRE A MISERICÓRDIA COM PE. RAFHAEL

Por: Vanderlúcio Souza
Seminarista da Arquidiocese de Fortaleza e Jornalista
Fonte: Blog Ancoradouro – Jornal O Povo / Fortaleza.

Direita e esquerda no Brasil: perca de sentido e de ideal

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O estranho movimento ascendente no Brasil de desmoralização e de banalização da política como busca do bem comum e meio de melhorar a vida das pessoas, se identifica com o fato bastante intrigante de perca de caracterização representativa de partidos de direita e de esquerda, assim outrora denominados por razões de luta e de ideais históricos.

Se por um lado os partidos de direita defendem a manutenção do sistema com adequações sociais e econômicas necessárias às mais diversas situações temporais, a esquerda conquistou o legado de transformação da estrutura social instalada e passou a ser modelada por acontecimentos revolucionários de cunho voltado para lutas reivindicadas pelos movimentos da base da sociedade.

Dessa forma, é interessante voltar à atenção para a estrutura do sistema político brasileiro hodierno. O cenário partidário se encontra inflamado de 35 partidos, muitas vezes vazios de uma causa cerne a defenderem ou até mesmo de razão histórica da sua existência, numa perspectiva fundamentada em testemunho social como respaldo para representar o povo. Esse intrigante movimento atual carece, portanto de uma observação participativa e acompanhante por parte da população.

Um exemplo oportuno para a explicitação da perca de idealismo partidário tanto direitista quanto esquerdista é o fato de um partido provindo de uma insistente luta da classe trabalhadora, tendo conseguido chegar ao poder se desgastar e perder o rumo que o alicerçava de tal forma que governa com um modelo favorável a sua estabilidade, ou seja, continuidade à frente do país. E, além disso, no período atual em que esse partido está à frente do país, tantos escândalos de corrupção terem virado manchetes de jornais.

Não bastasse isso, a economia brasileira nos últimos meses, mergulhou numa situação de crise e o governo deve adotar medidas de deter as contas e cortas despesas. Entre o momento de euforia, se tratando de um panorama social, em que a população pobre teve acesso a melhores condições de vida, e o momento de amadurecimento dessa estrutura, o país se deparou com o ralo da corrupção que recebeu generosa parcela de desvios.

Atualmente, quando de fato, se percebe o cenário partidário, ainda restam, resquícios por assim dizer de partidos de direita e de partidos de esquerda, esses não têm sequer voz nem vez de alcançar o poder e aqueles misturados e impregnados de outros valores e de linhagem oposta a que surgiram, uma vez que eram do grupo de esquerda, se perdem na identificação e erram o passo governamental.

Felipe FeiãoFelipe Augusto Ferreira Feijão, estudante de Filosofia da Faculdade Católica de Fortaleza – FCF

Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Jornal do Leitor), Segunda-feira, 19/10/2015.

Fé revolucionária

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Papa Francisco faz crítica ao capitalismo

Francisco de Roma exorta os movimentos populares a não perderem a fé revolucionária. Um papa antenado aos problemas sociais e que tem consciência de que a sociedade precisa de mudanças estruturais profundas, torna a mensagem libertadora de Jesus atualizada e em diálogo com o mundo dos dias de hoje. O sistema capitalista também frequentemente recebe severas críticas de Francisco. De fato, é preciso que a implantação do Reino, mexa na conjuntura desse mundo repleto de mazelas. Cumprindo sua missão profética de anunciar e de denunciar, o papa torna a Igreja cada vez mais aberta e inserida no meio social. Uma fé em diálogo com a transformação é uma fé revolucionária.

Felipe FeiãoFelipe Augusto Ferreira Feijão, aluno do Curso de bacharelado em Filosofia na Faculdade Católica de Fortaleza

Fonte: Publicado no Jornal Diário do Nordeste – Caderno Opinião (Coluna: Leitores e Cartas), Fortaleza/CE, Domingo, 19 de julho de 2015.

A agonia do ateísmo

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O ateísmo está em agonia. Ao contrario do que possa parecer, ele está em crise, crise de identidade, de objetivos, tornando-se um discurso irrelevante e obsoleto. Entre os fatores que depõem contra sua relevância está a crise da própria metafísica ocidental. Neste breve artigo pretendemos esclarecer sobre esse fato de nossa época.

O ateísmo é uma invenção moderna, na verdade ele surge como uma oposição a ideologia e ao poder da Igreja Católica medieval, nesse sentido ele pode ser considerado uma ideologia reativa, uma reação critica a concepção hegemônica da sociedade medieval. Podemos dizer que o auge do ateísmo moderno se dá entre os séculos XVII-XVIII, com os filósofos iluministas franceses (Voltaire, Diderot, D’Holbach), prosseguindo no século XIX ao absorver o discurso cientifico e filosófico de então com Feuerbach (1804-1872), Darwin (1809-1882), Marx (1818-1883), Nietzsche (1844-1900), Freud (1956-1939), e, chegando no fim do século XX ao seu declínio com o despertar da religião e dos movimentos carismáticos e pentecostais, bem como do fundamentalismo. Podemos observar uma tentativa de renascimento de suas ideias no inicio do século XXI, em especial através do chamado ‘neo-ateísmo’, com os pensadores Richard Dawkins (Deus, um delírio), Sam Harris, Daniel Dennet (Quebrando o encanto), Michael Onfray (Tratado de ateologia), André Comte-Sponville (A espiritualidade do ateismo), entre outros. O que caracteriza esse movimento ‘neo-ateista’ é uma retomada militante do ateísmo, muitas vezes soando como um tipo de ‘fundamentalismo irreligioso’, mas como sempre requentando velhos argumentos modernos, em especial ancorado hoje na critica ao fundamentalismo.

Em primeiro lugar, devemos lembrar que o ateísmo não tem uma doutrina própria, tendo como pauta principal a negação da existência de Deus, que se articula em argumentos anti-clericalistas e anti-fundamentalistas. O ateísmo, de certo modo, não tem conteúdo próprio, na verdade seus argumentos são parasitados das ciências, que em si mesmas não depõem nem a favor, nem contra a existência de Deus, uma vez que isso escapa de sua alçada e âmbito de investigação. Em geral, o discurso ateísta é paralelo ao discurso religioso, daí tira seus temas, suas criticas, seus argumentos, ou seja, os ateus são mais informados a respeito das crenças e obcecados pela religião do que os próprios religiosos, diferenciando-se destes por não assumirem a vivência da espiritualidade por meio da religiosidade, assumindo assim a negação do transcendente.

Afirmamos que o ateísmo está em crise e agonia, uma vez que diante de um mundo secularizado e plural contemporâneo, surge uma nova religiosidade, agora por uma via não eclesiástica (vale lembrar que o movimento da nova era, no fim dos anos 60, tinha como mote uma religiosidade não institucional e difusa), mas fincada na experiência livre e pessoal do absoluto. Outro fato que reforça a crise do ateísmo é a chamada crise da metafísica, pois a concepção de Deus assumida desde os antigos e medievais está alicerçada numa visão de mundo metafísica e transcendente, herdada da filosofia grega e da teologia cristã, a qual perde seu sentido e consistência com a chamada “morte de Deus” (crise dos valores), como pensa o filósofo italiano Vattimo. “Somos ateus, graças a Deus” diz o ditado, o qual exprime a relação intrínseca entre cosmovisão ocidental e ateísmo.

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Vale lembrar ainda que não pretendemos ver o ateísmo como um mal em si mesmo ou os ateus como pessoas com más intenções ou sem valores, como sugerem alguns desinformados, pelo contrário, o ateísmo tem um papel fundamental para o pensamento cientifico e filosófico ocidental. Ultimo sinal da crise do ateísmo são as ‘cruzadas’ ateístas contra as tradições religiosas, os movimentos ‘missionários’ que muitos ateus realizam para propagar a ‘salvação’ da humanidade, a descrença, com seus gurus e lideres ‘iluminados’, os quais muitas vezes parecem ‘oráculos da verdade’. Em alguns países já existem inclusive ‘templos do ateísmo’ e desenvolve-se hoje uma ‘espiritualidade ateísta’ (André Comte Sponville), ou seja, como dizia o filósofo Heráclito, ‘todo extremo conduz a seu oposto’.

Por fim, consideramos que o ateísmo, como invenção moderna, embora tenha seu lugar na historia do pensamento, e tenha servido para o próprio esclarecimento da religião e da sociedade, chega a um impasse, pois não consegue por si mesmo, superar uma visão reducionista e dá por resolvida uma questão perene que tem atormentado a filosofia e a ciência desde suas origens, a ideia da existência de Deus e perenidade da religião. Esta questão fundamental da experiência humana não se reduz a uma mera postulação religiosa, mas encontra sua raiz no próprio ser do homem e sua racionalidade.

Autor: FRANCISCO JOSÉ DA SILVA, Professor da UFC Cariri, Mestre em Filosofia.

Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Espiritualidade), Domingo, 12 de julho de 2015.

 

Simpósio] Autoridade máxima no país em Edith Stein ministra conferência no Simpósio da FCF

 

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Dra. Ursula Anne Mathias – UFC

O X Simpósio de Filosofia realizado pela Faculdade Católica de Fortaleza –FCF contou em se quadro de convidados com a autoridade máxima em Edith Stein no Brasil, Dra Ursula Anne Mathias. Ursula é vice-coordenadora do curso de Filosofia da Universidade Federal do Ceará e fez a comunicação sobre o tema “a estrutura da pessoa humana segundo Ser Finito e Ser Eterno de Edith Stein e segundo o Castelo Interior de Santa Tereza de Ávila”.

Ursula esclareceu aos congressistas que “na atualidade, os temas Filosofia e Mística são duas realidades que parecem se excluir. Mas na verdade, uma área necessita da outra. Desde Platão, em todos os séculos nunca foi tema que saiu da produção filosófica”.

Mística é abertura ao Transcendente. Os místicos existiram em todos os tempos da humanidade. “Eles estão em todos os lugares”, asseverou a doutora.A vida mística é uma necessidade da humanidade, do criar artístico e do pensar filosófico.

Edith Stein passou por uma fase de ateísmo em sua juventude, quando observava a vivência inconsistente do judaísmo por parte da família. Masfoi por ser judia que foi presa e morta pelos nazistas mesmo convertida ao cristianismo.

Depois de sua conversão ao cristianismo (1920) Edith Stein tem a certeza que Filosofia e Mística se precisam. Mesmo na fase ateia ela já se interessava pelo tema das religiões. “Eu compreendo uma pessoa quando compreendo seus valores” é a síntese de sua tese sobre a empatia, objeto de pesquisa na psicologia. Nesta tese ela afirmava que a religião era estranha à sua essência.

“Filosofia e Mística se baseiam na experiência, esta última manifesta-se na interioridade”, explicou a doutora. Ponto comum nas duas realidades é a importância dada ao autoconhecimento, aspecto notado na filosofia desde os tempos de Sócrates com o “conhece-te a ti mesmo”. “Ninguém entra na catedral da mística sem o autoconhecimento”, arrematou Ursula.

22685071“Ser finito e ser eterno”

Essa obra foi escrita no Carmelo. Edith Stein se apaixona por santo Tomás de Aquino e fez muitas traduções de doutor angélico  que há muito  não haviam sido traduzidas.

Para a santa carmelita, existe um aspecto verdadeiro na realidade. As coisas possuem uma essência, e elas em última análiseestão na mente divina. A essência do ser humano só se realiza com a colaboração do próprio ser humano, diferente das demais essências. Ela está em nós de modo embrionário.

Edith ver no ponto 29 da suma teológica que o ser humano possui uma dignidade, porque ele é imagem e semelhança de Deus; enquanto portadora de uma natureza racional, argumentos presentes em Santo Tomás e Boécio. A pessoa é sempre espiritual, ela sempre transcende a dimensão puramente material.

Na obra de Edith corpo, psique e espírito são inseparáveis. Trata-se de uma única realidade. A pessoa carrega o seu corpo, carrega também a sua psique; a vida espiritual também é carregada por estas dimensões.

6256_111893103533_80836898533_2192540_2492246_nA verdadeira liberdade

A liberdade espiritual é sempre liberdade condicional. Não existe liberdade absoluta. “Podemos ser livres nos condicionamentos físicos, biológicos, sociológicos etc. a liberdade confere ao ser humano domínio sobre o corpo, psique e espírito”.

Os sentidos, corpo e psique podem todos ser instrumentos perfeitos para um projeto pessoal em vista de um projeto espiritual. “A pessoa pode escolher onde quer criar suas raízes”. A pessoa se fortalece na liberdade quando ela opta pela vida espiritual. A vida espiritual é o âmbito próprio da liberdade.

Liberdade não é fazer tudo aquilo que me leva ao ter. Os atos livres preenchem a vida do ser humano de sentido.

A alma

O “eu” não se identifica com a alma, ela é muito mais ampla, é o que significava para Aristóteles, aquela que abarcava todas as dimensões, inclusive a vegetativa. A alma espiritual pode elevar-se acima de si mesmo.

A consciência é uma função da alma. A alma mora consigo mesmo e dentro da alma o “eu” está em casa.  Na alma se acumula tudo aquilo que entra nela. “A alma tem um ser que se alimenta de conteúdo e dos posicionamentos diante destes conteúdos” explicou Ursula.

A nossa alma é fruto dos conteúdos que ela assimilou, que ela mesmapermitiu que entrasse. A alma é castelo interior, possui muitas moradas. Ela não é um espaço vazio, está preenchida de alguma coisa. Ela jamaispode viver sem receber.

Escrito Castelo Interior

A conferencista abordou com maestria o que Edith Stein escreveu sobre a obra de Teresa de Jesus, Castelo Interior – Moradas.

É impossível descrever o que acontece no interior de uma alma mística. Teresa conseguiu escrever algo que pode ser modelo para o leitor. “O corpo corresponde ao muro do castelo, os guardiões são os sentidos. A meta da alma deve ser morada de Deus”, sentenciou a doutora.

O centro do palácio é o mais importante. É preciso deixar muitas moradas para se chegar ao aposento do Rei. Fora dos muros temos o mundo, no palácio interior mora Deus. “O portal de entrada é a oração(contemplação)”, revela a reformadora do Carmelo em sua obra.

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Imagem: Wikipédia – Teresa de Ávila (Portal de Ávila)

Acompanhe o resumo do significado de cada morada:

Primeira morada:palavra-chave: autoconhecimento. Várias técnicas podem nos levar ao autoconhecimento sendo uma delas a oração. A alma está muito distante de Deus nesta morara. Ela reza vez ou outra e é constantemente atraída para fora do Castelo.

Segunda morada: a alma consegue conversar com Deus, consegue perceber a condução de Deus, através de uma pregação, doença ou provação.

Terceira morada: Nesta alcova do castelo, as almas esforçam-se em se ordenar para Deus. É uma forma de purificação. Assume práticas de boas obras, mas ainda se mostram muito fracas diante de provações. Até a terceira morada não existe mística, trata-se da vida da graça ordinária.

Quarta morada:Nesta Morada a alma alcança a quietude. Elarecebe a água da fonte de Deus. Aqui prevalece a oração de recolhimento. As coisas exteriores perdem seus direitos e a alma passa a viver de Deus. O próprio Deus é que atrai a alma.

Quinta morada:A alma está totalmente acordada para Deus e dormindo para o mundo e si mesma. A alma descansa em Deus e sua única atividade é o amor. O próprio Deus está unido á sua essência. Vale dizer que não se cheganesta morada pelo próprio esforço, entanto,  as práticas de piedades corroboram para esta experiência. A almaconstrói a casa (Cristo) onde deve morrer. Torna-se mais corajosa e desejosa que todos conheçam a Deus. Torna-se também desapegada. A alma morre e nasce para a vida, é uma preparação para a próxima etapa.

Sexta morada: é a morada do noivado espiritual. O próprio Deus que se faz presente nesta etapa. Trata-se de uma purificação de toda a alma que se encontra passiva. São crises profundas de fé. A pessoa vive sem nenhuma consolação. Acontecem verdadeiras graças místicas. O medo desaparece. Os apelos e locuções possuem muita clareza e podem perdurar o resto da vida. A graça é escrita na alma de modo inesquecível. A entrega a Deus torna a pessoa livre. O próprio Deus conduz.

Sétima morada: Teresa chama de visão intelectual esta fase. As pessoas da Santíssima Trindade se apresentam à pessoa, confirmam a fé. A alma é totalmente transformada. É invadida por uma grande paz, consegue cumprir suas tarefas e fazer o que era complicado em fases anteriores. A alma torna-se uma coisa só com Deus. Ela esquece-se totalmente de si mesma.

Conclusão

Para as duas santas carmelitas, as experiências místicas servem exclusivamente para gerar uma alma disposta para servir.

 Por: Vanderlúcio Souza, Redação Faculdade Católica de Fortaleza – FCF.