Fé revolucionária

Vatican Pope

Papa Francisco faz crítica ao capitalismo

Francisco de Roma exorta os movimentos populares a não perderem a fé revolucionária. Um papa antenado aos problemas sociais e que tem consciência de que a sociedade precisa de mudanças estruturais profundas, torna a mensagem libertadora de Jesus atualizada e em diálogo com o mundo dos dias de hoje. O sistema capitalista também frequentemente recebe severas críticas de Francisco. De fato, é preciso que a implantação do Reino, mexa na conjuntura desse mundo repleto de mazelas. Cumprindo sua missão profética de anunciar e de denunciar, o papa torna a Igreja cada vez mais aberta e inserida no meio social. Uma fé em diálogo com a transformação é uma fé revolucionária.

Felipe FeiãoFelipe Augusto Ferreira Feijão, aluno do Curso de bacharelado em Filosofia na Faculdade Católica de Fortaleza

Fonte: Publicado no Jornal Diário do Nordeste – Caderno Opinião (Coluna: Leitores e Cartas), Fortaleza/CE, Domingo, 19 de julho de 2015.

A agonia do ateísmo

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O ateísmo está em agonia. Ao contrario do que possa parecer, ele está em crise, crise de identidade, de objetivos, tornando-se um discurso irrelevante e obsoleto. Entre os fatores que depõem contra sua relevância está a crise da própria metafísica ocidental. Neste breve artigo pretendemos esclarecer sobre esse fato de nossa época.

O ateísmo é uma invenção moderna, na verdade ele surge como uma oposição a ideologia e ao poder da Igreja Católica medieval, nesse sentido ele pode ser considerado uma ideologia reativa, uma reação critica a concepção hegemônica da sociedade medieval. Podemos dizer que o auge do ateísmo moderno se dá entre os séculos XVII-XVIII, com os filósofos iluministas franceses (Voltaire, Diderot, D’Holbach), prosseguindo no século XIX ao absorver o discurso cientifico e filosófico de então com Feuerbach (1804-1872), Darwin (1809-1882), Marx (1818-1883), Nietzsche (1844-1900), Freud (1956-1939), e, chegando no fim do século XX ao seu declínio com o despertar da religião e dos movimentos carismáticos e pentecostais, bem como do fundamentalismo. Podemos observar uma tentativa de renascimento de suas ideias no inicio do século XXI, em especial através do chamado ‘neo-ateísmo’, com os pensadores Richard Dawkins (Deus, um delírio), Sam Harris, Daniel Dennet (Quebrando o encanto), Michael Onfray (Tratado de ateologia), André Comte-Sponville (A espiritualidade do ateismo), entre outros. O que caracteriza esse movimento ‘neo-ateista’ é uma retomada militante do ateísmo, muitas vezes soando como um tipo de ‘fundamentalismo irreligioso’, mas como sempre requentando velhos argumentos modernos, em especial ancorado hoje na critica ao fundamentalismo.

Em primeiro lugar, devemos lembrar que o ateísmo não tem uma doutrina própria, tendo como pauta principal a negação da existência de Deus, que se articula em argumentos anti-clericalistas e anti-fundamentalistas. O ateísmo, de certo modo, não tem conteúdo próprio, na verdade seus argumentos são parasitados das ciências, que em si mesmas não depõem nem a favor, nem contra a existência de Deus, uma vez que isso escapa de sua alçada e âmbito de investigação. Em geral, o discurso ateísta é paralelo ao discurso religioso, daí tira seus temas, suas criticas, seus argumentos, ou seja, os ateus são mais informados a respeito das crenças e obcecados pela religião do que os próprios religiosos, diferenciando-se destes por não assumirem a vivência da espiritualidade por meio da religiosidade, assumindo assim a negação do transcendente.

Afirmamos que o ateísmo está em crise e agonia, uma vez que diante de um mundo secularizado e plural contemporâneo, surge uma nova religiosidade, agora por uma via não eclesiástica (vale lembrar que o movimento da nova era, no fim dos anos 60, tinha como mote uma religiosidade não institucional e difusa), mas fincada na experiência livre e pessoal do absoluto. Outro fato que reforça a crise do ateísmo é a chamada crise da metafísica, pois a concepção de Deus assumida desde os antigos e medievais está alicerçada numa visão de mundo metafísica e transcendente, herdada da filosofia grega e da teologia cristã, a qual perde seu sentido e consistência com a chamada “morte de Deus” (crise dos valores), como pensa o filósofo italiano Vattimo. “Somos ateus, graças a Deus” diz o ditado, o qual exprime a relação intrínseca entre cosmovisão ocidental e ateísmo.

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Vale lembrar ainda que não pretendemos ver o ateísmo como um mal em si mesmo ou os ateus como pessoas com más intenções ou sem valores, como sugerem alguns desinformados, pelo contrário, o ateísmo tem um papel fundamental para o pensamento cientifico e filosófico ocidental. Ultimo sinal da crise do ateísmo são as ‘cruzadas’ ateístas contra as tradições religiosas, os movimentos ‘missionários’ que muitos ateus realizam para propagar a ‘salvação’ da humanidade, a descrença, com seus gurus e lideres ‘iluminados’, os quais muitas vezes parecem ‘oráculos da verdade’. Em alguns países já existem inclusive ‘templos do ateísmo’ e desenvolve-se hoje uma ‘espiritualidade ateísta’ (André Comte Sponville), ou seja, como dizia o filósofo Heráclito, ‘todo extremo conduz a seu oposto’.

Por fim, consideramos que o ateísmo, como invenção moderna, embora tenha seu lugar na historia do pensamento, e tenha servido para o próprio esclarecimento da religião e da sociedade, chega a um impasse, pois não consegue por si mesmo, superar uma visão reducionista e dá por resolvida uma questão perene que tem atormentado a filosofia e a ciência desde suas origens, a ideia da existência de Deus e perenidade da religião. Esta questão fundamental da experiência humana não se reduz a uma mera postulação religiosa, mas encontra sua raiz no próprio ser do homem e sua racionalidade.

Autor: FRANCISCO JOSÉ DA SILVA, Professor da UFC Cariri, Mestre em Filosofia.

Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Espiritualidade), Domingo, 12 de julho de 2015.

 

Simpósio] Autoridade máxima no país em Edith Stein ministra conferência no Simpósio da FCF

 

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Dra. Ursula Anne Mathias – UFC

O X Simpósio de Filosofia realizado pela Faculdade Católica de Fortaleza –FCF contou em se quadro de convidados com a autoridade máxima em Edith Stein no Brasil, Dra Ursula Anne Mathias. Ursula é vice-coordenadora do curso de Filosofia da Universidade Federal do Ceará e fez a comunicação sobre o tema “a estrutura da pessoa humana segundo Ser Finito e Ser Eterno de Edith Stein e segundo o Castelo Interior de Santa Tereza de Ávila”.

Ursula esclareceu aos congressistas que “na atualidade, os temas Filosofia e Mística são duas realidades que parecem se excluir. Mas na verdade, uma área necessita da outra. Desde Platão, em todos os séculos nunca foi tema que saiu da produção filosófica”.

Mística é abertura ao Transcendente. Os místicos existiram em todos os tempos da humanidade. “Eles estão em todos os lugares”, asseverou a doutora.A vida mística é uma necessidade da humanidade, do criar artístico e do pensar filosófico.

Edith Stein passou por uma fase de ateísmo em sua juventude, quando observava a vivência inconsistente do judaísmo por parte da família. Masfoi por ser judia que foi presa e morta pelos nazistas mesmo convertida ao cristianismo.

Depois de sua conversão ao cristianismo (1920) Edith Stein tem a certeza que Filosofia e Mística se precisam. Mesmo na fase ateia ela já se interessava pelo tema das religiões. “Eu compreendo uma pessoa quando compreendo seus valores” é a síntese de sua tese sobre a empatia, objeto de pesquisa na psicologia. Nesta tese ela afirmava que a religião era estranha à sua essência.

“Filosofia e Mística se baseiam na experiência, esta última manifesta-se na interioridade”, explicou a doutora. Ponto comum nas duas realidades é a importância dada ao autoconhecimento, aspecto notado na filosofia desde os tempos de Sócrates com o “conhece-te a ti mesmo”. “Ninguém entra na catedral da mística sem o autoconhecimento”, arrematou Ursula.

22685071“Ser finito e ser eterno”

Essa obra foi escrita no Carmelo. Edith Stein se apaixona por santo Tomás de Aquino e fez muitas traduções de doutor angélico  que há muito  não haviam sido traduzidas.

Para a santa carmelita, existe um aspecto verdadeiro na realidade. As coisas possuem uma essência, e elas em última análiseestão na mente divina. A essência do ser humano só se realiza com a colaboração do próprio ser humano, diferente das demais essências. Ela está em nós de modo embrionário.

Edith ver no ponto 29 da suma teológica que o ser humano possui uma dignidade, porque ele é imagem e semelhança de Deus; enquanto portadora de uma natureza racional, argumentos presentes em Santo Tomás e Boécio. A pessoa é sempre espiritual, ela sempre transcende a dimensão puramente material.

Na obra de Edith corpo, psique e espírito são inseparáveis. Trata-se de uma única realidade. A pessoa carrega o seu corpo, carrega também a sua psique; a vida espiritual também é carregada por estas dimensões.

6256_111893103533_80836898533_2192540_2492246_nA verdadeira liberdade

A liberdade espiritual é sempre liberdade condicional. Não existe liberdade absoluta. “Podemos ser livres nos condicionamentos físicos, biológicos, sociológicos etc. a liberdade confere ao ser humano domínio sobre o corpo, psique e espírito”.

Os sentidos, corpo e psique podem todos ser instrumentos perfeitos para um projeto pessoal em vista de um projeto espiritual. “A pessoa pode escolher onde quer criar suas raízes”. A pessoa se fortalece na liberdade quando ela opta pela vida espiritual. A vida espiritual é o âmbito próprio da liberdade.

Liberdade não é fazer tudo aquilo que me leva ao ter. Os atos livres preenchem a vida do ser humano de sentido.

A alma

O “eu” não se identifica com a alma, ela é muito mais ampla, é o que significava para Aristóteles, aquela que abarcava todas as dimensões, inclusive a vegetativa. A alma espiritual pode elevar-se acima de si mesmo.

A consciência é uma função da alma. A alma mora consigo mesmo e dentro da alma o “eu” está em casa.  Na alma se acumula tudo aquilo que entra nela. “A alma tem um ser que se alimenta de conteúdo e dos posicionamentos diante destes conteúdos” explicou Ursula.

A nossa alma é fruto dos conteúdos que ela assimilou, que ela mesmapermitiu que entrasse. A alma é castelo interior, possui muitas moradas. Ela não é um espaço vazio, está preenchida de alguma coisa. Ela jamaispode viver sem receber.

Escrito Castelo Interior

A conferencista abordou com maestria o que Edith Stein escreveu sobre a obra de Teresa de Jesus, Castelo Interior – Moradas.

É impossível descrever o que acontece no interior de uma alma mística. Teresa conseguiu escrever algo que pode ser modelo para o leitor. “O corpo corresponde ao muro do castelo, os guardiões são os sentidos. A meta da alma deve ser morada de Deus”, sentenciou a doutora.

O centro do palácio é o mais importante. É preciso deixar muitas moradas para se chegar ao aposento do Rei. Fora dos muros temos o mundo, no palácio interior mora Deus. “O portal de entrada é a oração(contemplação)”, revela a reformadora do Carmelo em sua obra.

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Imagem: Wikipédia – Teresa de Ávila (Portal de Ávila)

Acompanhe o resumo do significado de cada morada:

Primeira morada:palavra-chave: autoconhecimento. Várias técnicas podem nos levar ao autoconhecimento sendo uma delas a oração. A alma está muito distante de Deus nesta morara. Ela reza vez ou outra e é constantemente atraída para fora do Castelo.

Segunda morada: a alma consegue conversar com Deus, consegue perceber a condução de Deus, através de uma pregação, doença ou provação.

Terceira morada: Nesta alcova do castelo, as almas esforçam-se em se ordenar para Deus. É uma forma de purificação. Assume práticas de boas obras, mas ainda se mostram muito fracas diante de provações. Até a terceira morada não existe mística, trata-se da vida da graça ordinária.

Quarta morada:Nesta Morada a alma alcança a quietude. Elarecebe a água da fonte de Deus. Aqui prevalece a oração de recolhimento. As coisas exteriores perdem seus direitos e a alma passa a viver de Deus. O próprio Deus é que atrai a alma.

Quinta morada:A alma está totalmente acordada para Deus e dormindo para o mundo e si mesma. A alma descansa em Deus e sua única atividade é o amor. O próprio Deus está unido á sua essência. Vale dizer que não se cheganesta morada pelo próprio esforço, entanto,  as práticas de piedades corroboram para esta experiência. A almaconstrói a casa (Cristo) onde deve morrer. Torna-se mais corajosa e desejosa que todos conheçam a Deus. Torna-se também desapegada. A alma morre e nasce para a vida, é uma preparação para a próxima etapa.

Sexta morada: é a morada do noivado espiritual. O próprio Deus que se faz presente nesta etapa. Trata-se de uma purificação de toda a alma que se encontra passiva. São crises profundas de fé. A pessoa vive sem nenhuma consolação. Acontecem verdadeiras graças místicas. O medo desaparece. Os apelos e locuções possuem muita clareza e podem perdurar o resto da vida. A graça é escrita na alma de modo inesquecível. A entrega a Deus torna a pessoa livre. O próprio Deus conduz.

Sétima morada: Teresa chama de visão intelectual esta fase. As pessoas da Santíssima Trindade se apresentam à pessoa, confirmam a fé. A alma é totalmente transformada. É invadida por uma grande paz, consegue cumprir suas tarefas e fazer o que era complicado em fases anteriores. A alma torna-se uma coisa só com Deus. Ela esquece-se totalmente de si mesma.

Conclusão

Para as duas santas carmelitas, as experiências místicas servem exclusivamente para gerar uma alma disposta para servir.

 Por: Vanderlúcio Souza, Redação Faculdade Católica de Fortaleza – FCF.

 

Simpósio] Conferência sobre Mestre Eckhart destaca três aspectos de sua mística

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Dr. Matteo Raschietti – UNESP

O segundo dia do X Simpósio de Filosofia realizado pela Faculdade Católica de Fortaleza foi dedicado ao estudo do pensamento de Mestre Eckhart. A conferência foi ministrada pelo doutor Matteo Raschietti –, da Universidade Estadual de São Paulo – UESP.

A mística de mestre Eckhart é ainda pouco conhecida e de certa forma incompreendida. Ela se apresenta sem adjetivos. “Na Idade Média o termo místicararamente se utilizava como substantivo, geralmente era empregado como adjetivo”, avalia Mateo.

Os místicos medievais não se intitulavam como tal. Falar queMestre Eckhart era místico é um tanto controverso. Apenas nos sermões e tratados é que o autor apresenta essa temática. Sua obra imbrica teologia, filosofia e mística. “Foi teólogo de renome e mestre de espiritualidade. Conseguiu conjugar estas duas realidadesmuito bem em sua vida”, apresenta o pesquisador medievalista.

Mateo pincelou sobre três aspectos da obra de Mestre Eckhart sobre a mística:

Mística da essência: valoriza a doutrina da interioridade. Agostinho e Aristóteles são os autores mais citados por Mestre Erckhart. A mística da essência aponta que Deus é o substrato.Pode ser chamada a mística das ciências.desprendimento1

Mística do desprendimento: escreveu a obra “Da Divina Consolação”. Escreveu também um tratado sobre o desprendimento. Vale lembrar que ele é considerado o pai da língua alemã. Ele afirma que “o puro desprendimento tudo supera, pois ele é desvinculado de toda criatura”.

“O desprendimento toca de tão de perto o nada que não há o que se interponha entre o desprendimento perfeito e o nada”. “Só o desprendimento conduz o homem à pureza, e da pureza à simplicidade, e da simplicidade à imutabilidade”.

Mística da imagem sem imagem: a mística de Mestre Eckhart neste ponto se afasta um pouco da Tradição cristã. Para ele, a verdadeira imagem sem imagem é aquela onde desaparece todas as imagens. Aproxima-se da ideia do escultor onde o Moisés de Michelangelo, por exemplo, já estava no bloco de mármore, não foi colocado lá dentro.

O ser humano é uma imagem escultural de Deus. Um espelho que reflete a sua própria imagem. O ser humano é um aspecto de Deus e Deus umrespectodo homem. O pensamento de Eckhart não é simples. Ora se ver uma mística, ora uma dialética platônica, mas tudo isso pode ser verdade, diz Etiénne Gilson sobre a produção do mestre.

Deus se faz presente enquanto ausência de imagens e privilégios. O homem se torna livre à medida que acolhe esta ausência. O ponto de chegada é o silêncio.

“A última barreira que impede a visão de Deus é o conceito que vocês têm de Deus[…] Hoje se fala demais de Deus: o mundo não aguenta mais. Há pouca consciência, pouco amor […]”, comenta o pesquisador Antony Melo.

Deus não se transforma na alma, é ela que se transforma em Deus.

mestre-eckhartMais sobre Mestre Eckhart

MestreEckhart pertencia à Ordem Dominicana, conhecida também como Ordem dos Pregadores. Ela foi fundada no período das heresias dos Tártaros e Albigenses. Os monges se preparavam para combatê-la, eram homens preparados.

Por: Vanderlúcio Souza – Redação Faculdade Católica de Fortaleza – FCF

Simpósio] Em Nicolau de Cusa, a “visão de Deus”corresponde ao amor

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Dr. José Teixeira – UERN e Maria Simone – UEPB

“Mística do Olhar, mística do amor, no De Visione Dei de Nicolau de Cusa” foi o tema da primeira conferência ministrada no X Simpósio de Filosofia pela Profa. Dra. Maria Simone M. Nogueira da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB.

A Faculdade Católica de Fortaleza deu uma contribuição importante ao trazer para o centro das discussões a mística, tema que sofre preconceito na academia. “Existe uma relação tensa na filosofia, muitas vezes a mística é vista como parte menor”, pontua a doutora.

Nicolau de Cusa viveu em um período marcado pela mística, trocou correspondências com monges beneditinos para resolver a querela mística, dissenção onde alguns defendiam que se alcançaria a Deus pelos afetos e outros pelo intelecto.

Para resolver a questão, “na primeira carta enviada por Nicolau de Cusa aos monges associou na entrega o quadro que ele intitulou de ícone de Deus”. Na sua concepção aquele quadro guardava um segredo entre o homem e Deus. O segredo se faz história, como veremos adiante, quando se partilha o que se vê de Deus.

Pela indicação do autor “é importante que eu saiba olhar nos olhos de Deus e ter uma vivência Dele, importante também saber o que fazer com outros depois desse olhar”.

Nicolau pede que os irmãos façam a experiência de se descolarem diante do quadro em sentidos contrários e emitam o parecer. Esta experiência é utilizada como metáfora pelo místico para falar do olhar de Deus.

A relação entre ver e amar

b0083a_65af115bb5f74282a5e58d50a1e97f99A visão de Deus em Nicolau de Cusa é amar. Por isso, o título da obra. ver e amar são sinônimos para o autor medieval.A primeira ideia de Nicolau sugere que Deus não abandona ninguém; o olhar do quadro que tudo acompanha é assim como o olhar de Deus para nós. “Ora, se o quadro não me abandona ainda mais Deus,jamais nos abandonará”, conclui Simone.

“Não abandonar” está relacionado ao amor incondicional. A ideia seguinte que surge no texto aponta para a dimensão do “cuidado”. Quem ama cuida. O amor divino não abandona, protege e cuida.“Deus cria à medida que Ele ama. Em Deus ver e amar é uma única ação”, destaca a pesquisadora medievalista.

A terceira ideia diz respeito ao afeto paternal. “Deus tem um olhar único sobre cada um. Remete à experiência do quadro enviado aos monges. Neste aspecto pode-se distinguir a visão de Deus da visão dos homens. A simultaneidade é uma característica do ser divino, coisa impossível ao homem”.

Como a visão de Deus acompanha a todos, assim também o afeto paternal de Deus faz qualquer um sentir-se único.“E porque onde estão os olhos está o amor. Experiencio que me amas, porque os teus olhos estão sobre mim, teu humilde servo, coma maior das atenções”, diz um trecho do De Visione Dei, Cap. IV p. 151.

Um místico é um ser que vive neste mundo

O mais importante é saber como eu vou olhar os demais depois de fitar os olhos de Deus. “Colocar no cotidiano minha experiência mística é o fundamental”, destaca Simone. Esse olhar de Deus torna o místico capaz de transformar o mundo. Depois de ver Deus ele não pode ver o mundo da mesma forma.

Por Vanderlúcio Souza, Redação Faculdade Católica de Fortaleza – FCF.

Simpósio]“Nenhum estudo intelectual pode ser desligado da condição humana”, afirma doutor em Teologia

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Dr. Pe. Evaristo Marcos e Dir. Ana Aires

O Diretor Acadêmico da Faculdade Católica de Fortaleza –FCF, Padre Francisco Evaristo Marcos, declara que a importância principal do X Simpósio de Filosofia realizado pela instituição “é apresentara Filosofia como ciência útil à pessoa humana”. “Nenhum estudo intelectual pode ser desligado da própria condição humana”, afirma o sacerdote que é Doutor em Teologia.

O encontro é uma oportunidade de reflexão para os participantes e ao mesmo tempo um evento que ajuda-os a descobrir quem elas são. “Ele quer despertar a pessoa para a relação consigo mesmo, com o transcendente e por consequência com o outro”, acrescenta o padre.

Ainda de acordo com Padre Evaristo, “não existe uma ótima teologia sem uma excelente filosofia. As duas coisas não se separam”.  O ponto de confluência entre as duas ciências encontra-se na relação intima entre fé e razão, quando a pessoa passa a descobrir o sentido de sua própria existência e sua relação com o transcendente.

O diretor acadêmico reafirma o compromisso da FCF na formação intelectual de seu corpo discente. “Somos uma casa com 150 anos  de tradição  de ensino da Filosofia e Teologia. No Ceará somos a primeira casa de formação do ensino superior  das ciências  filosóficas e teológicas. Por tudo isso, nos preocupamos em trazer para este Simpósio profissionais gabaritados”.

Por: Vanderlúcio Souza – Redação Faculdade Católica de Fortaleza – FCF

Simpósio] Aluno do Propedêutico apresenta comunicação sobre “mística no orfismo”

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Nas trinta horas de programação do X Simpósio de Filosofia realizado pela Faculdade Católica de Fortaleza –FCF, destaque para o espaço reservado para as comunicações dos alunos de graduação, mestrado e doutorado.

Ao todo foram apresentadas mais de 27 comunicações. Joaquim Fernando III, aluno do Propedêutico da Arquidiocese de Fortaleza, apresentou sua pesquisa, “o princípio daIMG_20150520_142117609_HDR mística no mistério órfico”.

Fernando é formado em filosofia e pós-graduado em filosofia da religião. “O incentivo à pesquisa e a erudição do público discente”, marcam a importância de um evento no porte do simpósio na opinião do aluno.

“O orfismo introduz um novo sistema de crenças no mundo grego e tornou-se uma experiência que influenciou inclusive religiões monoteístas como o judaísmo e o cristianismo”, explicou o pesquisador.

Por: Vanderlúcio Souza, Redação Faculdade Católica de Fortaleza – FCF.