Teóloga Tânia Couto comenta a Liturgia: “Deus age de forma livre e inovadora”

A reflexão é de Tania Couto, teóloga leiga. Ela possui  Bacharelado em Teologia peloInstituto Teológico-Pastoral do Ceará 2006), mestrado (2009) e doutorado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro -PUC-Rio(2014). Atualmente é professora na área de bíblia da Faculdade Católica de Fortaleza e professora da área de bíblia da Escola de Pastoral Catequética.

Referências bíblicas
1ª leitura – At 4,8-12; 
Salmo – 118,1. 8-9. 21-23. 26. 28cd. 29;
2ª leitura – 1Jo 3,1-2; 
Evangelho – Jo 10,11-18

Portanto, a figura do Bom Pastor (4º Domingo da Páscoa – Ano B / 22 de abril de 2018) é claramente inspirada pela obra de Jesus que tem origem no amor eterno de Deus, que se manifesta na aceitação voluntária de sua vida para completar a obra da salvação na qual realiza a unidade escatológica do rebanho de que fala Ez 34 e 37.

experiência de Deus foi central e decisiva na vida de Jesus. A razão é que o Pai o conhece e ele conhece o Pai. A confiança que nasce do conhecimento do Pai o faz agir de maneira livre e inovadora: “Minha vida ninguém a tira de mim, mas eu a dou livremente. Tenho poder de dá-la e de retomá-la; esse é o mandamento que recebi do meu Pai”. Como Filho, vive continuamente identificando-se com ele e imitando seu agir. O tema do mútuo conhecimento vem sublinhado pela repetição. “O Filho conhece o Pai, o Pai conhece o Filho, o Filho conhece as ovelhas e as ovelhas o conhecem”. É Ele quem inspira sua mensagem, unifica sua intensa atividade em torno de uma experiência nuclear: Seu Deus-Pai cuida e protege a todos. Deus é o Pai de todos. É isto que Jesus quer nos dizer por meio do símbolo do Pastor. Ele com a doação livre de sua vida assume a guarda e a proteção do rebanho no qual se manifesta o amor de Deus.

TEXTO NA ÍNTEGRA / PROFA. DRA. TÂNIA COUTO

Somos convidados neste quarto domingo da Páscoa a aprofundar a fé em Cristo Ressuscitado que no Evangelho fala de si mesmo, do seu relacionamento com o Pai e com seus discípulos. Através de obras e Palavras Jesus se manifesta a sua comunidade como aquele que dá a vida para reunir o povo, para que haja um só rebanho e um só pastor.

A primeira leitura (At 4,8-12) nos fala da experiência que a comunidade cristã está vivenciando ao ensinar e anunciar, em Jesus, a ressurreição dos mortos. A adesão à fé em Jesus cresce na cidade de Jerusalém nos que ouvem a Palavra e é causa de perseguição aos apóstolos que são presos e submetidos a interrogatório. A presença dinâmica e constante do Espírito, que se renova pela oração nos momentos difíceis, capacita os apóstolos para realizar sinais e confere-lhes audácia para continuar a proclamação. Pedro ao se dirigir a todo povo de Israel, às autoridades e às lideranças político-religiosas do seu tempo, desmascara a falsidade do sinédrio ao mostrar que o interrogatório foi ocasionado pelo fato de eles terem feito um benefício a um enfermo. E aproveitando-se do momento em que todos tinham os olhos fixos nele, diz: “é em nome de Jesus Cristo, o Nazareu, aquele a quem vós crucificastes, mas a quem Deus ressuscitou dos mortos, é por seu nome e nenhum outro que este homem se apresenta curado no meio de vós”. Enquanto o sinédrio condena a quem restituiu a saúde a um enfermo, a comunidade cristã anuncia que para Jesus, a vontade de Deus não é nenhum mistério: consiste em que todos cheguem a desfrutar a vida em plenitude. Jesus quer libertar a vida do mal.

E ao ouvir as vozes que ainda com força ressoavam o acontecimento pascal vivenciado pelas primeiras comunidades cristãs, Pedro fez ecoar em todo sinédrio por meio da alusão ao Salmo 118,22 o profetismo da comunidade que consistia em dar e servir a Palavra, sob o impulso do Espírito, proclamando as grandezas de Deus, e em concreto a morte e a ressurreição de Jesus. Declarando Jesus como “Pedra angular”, pôs em relevo a afirmação de que a única possibilidade que há debaixo dos céus para salvar os homens é pelo nome de Jesus, o crucificado, que foi rejeitado e é, agora, por Deus exaltado. A fé em Deus leva Jesus a ir diretamente à raiz: a defesa da vida e o auxílio às vítimas.

Na segunda leitura (1Jo 3,1-2) outra comunidade para a qual João escreve faz, também, a experiência do amor ao viver como filhos de Deus, e testemunha: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus. E nós o somos!” Este testemunho está alicerçado no conhecimento que ela tem de Deus, na vivência da justiça e do seu amor. “Pois todo aquele que pratica a justiça nasceu de Deus” (2,29). Se a comunidade cristã sofre perseguição do mundo é porque este não conheceu a Deus, pois viver como filho de Deus exige coerência com a sua vontade que se manifesta na prática da justiça e do amor e isso não agrada ao mundo. A carta exorta que o dom da filiação divina é graça, mas também implica um relacionamento mútuo: “seremos semelhantes a Ele”. Portanto, precisamos fazer o mundo conhecer o amor de Deus por meio de nosso agir como filhos amados do Pai e em união com seu Filho.

O texto do Evangelho (Jo 10,11-18) traz o tema do Bom Pastor no qual Jesus se apresenta na sua dignidade e função de Pastor: “Eu Sou o Bom Pastor”. Revelando-se, neste domingo, como o “Bom Pastor que dá a sua vida pelas suas ovelhas”, manifesta seu projeto de vida plena para todos e que se contrapõe ao projeto do pastor mercenário que foge ao ver o lobo, não se importa com suas ovelhas, deixando o rebanho dispersar-se.

A imagem do pastor e do rebanho largamente difundida no mundo religioso oriental pertence ao conjunto dos maiores símbolos do AT para expressar as relações de Deus com o seu povo. A Bíblia nasceu num povo enraizado na vida pastoril. Os patriarcas eram pastores. Deus é pastor. Deus é o pastor, o povo de Israel seu rebanho. O Sl 23 diz: “O Senhor é meu pastor” (Sl 80,2: “Tu pastor de Israel, escuta, tu que guias a José como um rebanho…”; Salmos 95,7 e 100,3: “nós somos o povo de seu pasto, o rebanho que conduz com sua mão”; Os profetas sempre que pretendem chamar a atenção do povo para o agir de Deus e para Sua relação com eles, recorrem a este tema: Is 40,12; Jr 23,3; Ez 34,12-15). Especialmente Ez 34 que serve de pano de fundo para Jo 10; o pastor futuro, messiânico. Esse texto denuncia o descaso dos pastores mercenários (34,5-6) e anuncia que Deus mesmo assumirá o pastoreio de seu povo (34,11-16).

Do AT a imagem do Pastor passa para o NT no qual a figura do Bom Pastor se funde com a de Jesus. A imagem do pastor aparece com frequência no NT, aplicada a Cristo (A ovelha perdida: Mt 18,12-13; o pastor separando as ovelhas: Mt 25,32-33; Mc 14,27: Jesus se compara ao pastor separado das ovelhas pela morte violenta). Jesus sabe que a tradição bíblica considera as relações de Deus com o povo de Israel, como as de um Pastor, esposo, libertador, mas especialmente, como as de um pai com seu filho. São imagens que falam de relações cotidianas e de intimidades que produzem conhecimento. A relação aí existente não se deve a uma condição de assalariado, mas de alguém que cuida porque ama, o que lhe importa é o bem das ovelhas e sua segurança.


A primeira característica de tal pastor consiste no oferecimento da própria vida pelas ovelhas. Não se trata somente da disponibilidade de pôr a vida em risco, mas do Dom efetivo e real da Vida. Outra característica do Bom pastor é o conhecimento recíproco entre pastor e ovelhas. O verbo conhecer aqui indica uma comunhão de vida. O conhecimento recíproco exprime uma relação profunda entre pessoas que se conhecem. O conhecimento entre Deus-Pai e Jesus representa o modelo de relações entre Jesus e os discípulos. Há uma relação profunda entre Pastor e ovelhas.

Nenhum pastor diz que dá a vida por suas ovelhas e a dá em abundância e nem que as ovelhas lhe pertencem. Por sua encarnação Jesus conhece profundamente as ovelhas e elas o conhecem. É Jesus quem assume e tem em sua mão o rebanho e o chama de “meu”, minhas ovelhas.

Portanto, a figura do Bom Pastor é claramente inspirada pela obra de Jesus que tem origem no amor eterno de Deus, que se manifesta na aceitação voluntária de sua vida para completar a obra da salvação na qual realiza a unidade escatológica do rebanho de que fala Ez 34 e 37.

A experiência de Deus foi central e decisiva na vida de Jesus. A razão é que o Pai o conhece e ele conhece o Pai. A confiança que nasce do conhecimento do Pai o faz agir de maneira livre e inovadora: “Minha vida ninguém a tira de mim, mas eu a dou livremente. Tenho poder de dá-la e de retomá-la; esse é o mandamento que recebi do meu Pai”. Como Filho, vive continuamente identificando-se com ele e imitando seu agir. O tema do mútuo conhecimento vem sublinhado pela repetição. “O Filho conhece o Pai, o Pai conhece o Filho, o Filho conhece as ovelhas e as ovelhas o conhecem”. É Ele quem inspira sua mensagem, unifica sua intensa atividade em torno de uma experiência nuclear: Seu Deus-Pai cuida e protege a todos. Deus é o Pai de todos. É isto que Jesus quer nos dizer por meio do símbolo do Pastor. Ele com a doação livre de sua vida assume a guarda e a proteção do rebanho no qual se manifesta o amor de Deus.

O conhecimento de Deus e o seguimento dos fiéis discípulos está, portanto, na dependência dos verdadeiros pastores.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br (Espiritualidade / Ministério da Palavra na Voz das Mulheres).

Por Setor Comunicação / abril de 2018.

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Presidente da CNBB: “Brasil hoje precisa que a Igreja dê um testemunho de comunhão, de unidade fraterna”

O cardeal Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, encontrou-se com o papa Francisco, nesta sexta-feira, 6 de abril. Depois do encontro, o cardeal atendeu o pedido de entrevista do Vatican News e conversou com a repórter Cristiane Murray.

ACOLHIDA DO PAPA FRANCISCO

“Primeiramente, é sempre uma grande alegria encontrar com o Papa Francisco. Ele sempre nos recebe de maneira muito carinhosa, com muita generosidade e demonstra um amor imenso pelo Brasil, pela Igreja no Brasil, pelo povo brasileiro. Então, é sempre bom demais estar com ele e eu dei a ele o abraço e a oração do nosso povo, da nossa Igreja e do nosso episcopado. E por isso, eu agradeço muito a Deus e ao Papa Francisco de ter tido a oportunidade de uma conversa com ele um pouco mais demorada, mesmo que em outros momentos que eu participo tenho tido a graça de um contato com ele ”.

CONVERSA COM O PAPA

“Nós temos muitos desafios. Desafios na sociedade, desafios na realidade brasileira. Desafios de caráter sócio-político, econômico, cultural. Temos também desafios internos na vida da Igreja”.

O cardeal disse que podia resumir a conversa com o Papa a respeito da missão da Igreja em três pontos: “O primeiro, a necessidade de ir em frente. De continuar, sempre mais e, de modo mais fiel possível, a missão da Igreja, isto é, diante dos desafios, das dificuldades, nós não podemos desanimar, pelo contrário, temos de ir em frente. Eu creio que este avançar, procurando ser o mais fiel à missão da Igreja é um primeiro aspecto. Perseverar, avançar, ser fiel”.

O segundo aspecto da conversa com o Papa, segundo dom Sergio foi “caminhar unidos. Nós precisamos estar muito unidos para poder superar os desafios pastorais e outros problemas da realidade brasileira. Então, caminhar juntos, claro que primeiramente na oração, mas caminhar juntos como Igreja, isto é, assumindo juntos a missão da Igreja, muito unidos ao próprio Papa Francisco, unidos com os bispos do Brasil. Então, em breve, vamos ter a nossa assembleia geral dos bispos do Brasil, que é uma ocasião para fortalecer essa unidade que temos vivido. Unidos na vida e na missão. Unidos na oração, na vida e na missão”.

Dom Sergio explicou que o terceiro ponto da conversa foi a esperança: “Porque nós caminhamos unidos, mas não simplesmente como um grupo de amigos, mas caminhamos unidos pela fé. Pela fé que nós temos em Cristo. Estamos no Tempo da Páscoa. Então, nós queremos caminhar unidos pela fé em Cristo, mas justamente porque cremos nEle, sabemos que Ele é o Senhor da Igreja, nós colocamos nEle, a nossa esperança. Somos gente de esperança”.


ASSEMBLEIA DOS BISPOS

Sobre o tema central da próxima assembleia geral dos bispos que começa na quarta-feira, 11 de abril de 2018, em Aparecida, o cardeal disse: “É claro que o desafio da formação é imenso […] nós temos que, como Igreja, crescer, avançar na formação dos futuros presbíteros e dos atuais. Aqui que estão dois aspectos que tem que ser considerados permanentemente. Houve um tempo que quando se falava que formação sacerdotal se pensava apenas nos futuros presbíteros, isto é, na formação que se oferece nos seminários. E a verdade que essa formação que é fornecida nos seminários tem que merecer uma atenção cada vez maior, temos que aprimorar, que ampliar, mas o desafio que se coloca hoje é a chamada formação permanente dos presbíteros”.

O Cardeal explica como isso se dará no estudo dos bispos, na assembleia: “Eu creio que esse seja um dos aspectos que temos nós precisamos trabalhar cada vez mais. O próprio documento sobre a formação que estamos estudando já vai dedicar um espaço muito grande à formação permanente. Portanto, não é apenas quando estão se preparando para a ordenação sacerdotal ou para o ministério sacerdotal que é necessária uma formação mais sistemática, mais integral. Então, depois de ordenados, continua o desafio da formação. E não é que nós bispos estão de fora, nós também necessitamos continuar a nossa formação para servir, cada vez melhor, à Igreja”.

Ainda sobre o tema da assembleia, dom Sergio esclarece: “A Igreja tem trabalhado com vários aspectos da formação. Quando nós falamos de formação integral é porque não falamos apenas dos estudos. Tem gente que pensa, às vezes, na formação dos estudos. É claro que eles merecem uma atenção na formação dos presbíteros, mas não bastam os estudos. Eles são importantíssimos, mas temos a formação humano-afetiva, formação espiritual, formação comunitária, formação pastoral. São os vários aspectos da formação que nos seminários, nós estamos trabalhando cada vez mais, mas depois de ordenados é preciso cultivar”.

Sobre a metodologia de trabalho que os bispos vão adotar na assembleia geral, o cardeal disse: “Nós partimos daquilo que vem da Santa Sé, isto é, do documento que orienta a formação dos presbíteros, e também partimos da experiência que nós temos e do próprio documento que o Brasil já está adotando.  Nós já temos em vigor as chamadas diretrizes para a formação dos presbíteros e este documento é que está sendo revisto, está sendo aprofundado. Nós temos um caminho longo que percorrer, mas claro que o caminho é mais exigente ainda, isto é, temos passos ainda maiores a serem dados para preparar o sacerdote, o presbítero, o bispo para atuar no dia a dia do mundo de hoje, da sociedade de hoje, para fazer o anúncio do Evangelho e viver o sacerdócio no seu conjunto nas condições concretas que nós temos hoje. É preciso, de fato, aprofundar, cada vez mais, não apenas o conhecimento, mas a vivência da fé que vai ser anunciada, celebrada, vivida pelo próprio sacerdote e pelo conjunto do povo”.

MOMENTO DA REALIDADE NO BRASIL

O presidente da CNBB, perguntado sobre o momento que vivemos, disse que: “Brasil precisa do testemunho cristão de cada um de nós. Testemunho corajoso, firme, fiel, alegre. Claro que isso é dom de Deus e precisa ser alimentado pela oração, pela Eucaristia, pela Palavra de Deus. O Brasil hoje precisa que a Igreja dê esse testemunho de comunhão, de unidade fraterna, de comunhão fraterna. Porque nós queremos superar a violência, a agressividade, a intolerância e queremos fazer isso dando testemunho. Lembremos sempre que a unidade, que a comunhão é uma exigência da evangelização. Jesus disse para estarmos unidos, para que o mundo creia. Quando Jesus reza ao Pai pedindo a unidade dos creem é justamente para que o mundo creia. Nós queremos, justamente, através do nosso testemunho, ajudar outras pessoas a crer em Cristo, fazendo essa mesma experiência. Por que tratar o outro que pensa diferente como inimigo? Não. É um irmão a ser amado, a ser respeitado, a ser valorizado e, se necessário for, a ser também corrigido fraternalmente”.

O cardeal lembrou a ainda a importância da esperança neste momento do Brasil: “Quando o Papa Francisco esteve em Aparecida, retomando a história dos pescadores que encontraram a imagem de nossa Padroeira, este foi um aspecto que o Papa insistia. E sempre ele tem dito: não deixem que roube a esperança. Não podemos perder a esperança. Essa esperança, é claro, vem de Jesus, ela vem de Deus, mas é uma esperança que nós também alimentamos também comunitariamente. Por isso que é muito importante a participação das pessoas na vida da comunidade, na vida Igreja. Porque sozinho, acaba se desanimando. Quando nós nos unimos como família – claro que a família de cada um é muito importante – mas essa família que quer ser a Igreja, ela é igualmente importante e, em algumas situações, com a família mais fragilizada, ela se torna ainda mais necessária para muita gente. Para todos nós, mas sobretudo para quem sofre mais”.

Dom Sergio destaca o sentido da esperança cristã: “Encontrar na Igreja gente que procura viver o Evangelho através do amor ao próximo, da caridade, da vida fraterna, da misericórdia. E, por isso, a pessoa se sente acolhida, se sente amada. Então, em momentos de dor, de dificuldade, de angústia, é preciso, ainda mais, a cultivar a vida fraterna porque juntos nós nos animamos a caminhar, a superar dificuldades. Claro que unidos a Cristo, nEle ancorados, iluminados, animados pelo Espírito de Deus, não é só nós. Nós não produzimos, por conta própria, essa esperança. Nós recebemos, mas cultivamos e compartilhamos a esperança. Então, que seja esse momento em que nós nos unimos, como Igreja, justamente para pode superar dificuldades e realizar bem a nossa missão evangelizadora. Que seja um momento em que nós possamos testemunhar a esperança que vem de Jesus, a esperança que vem da vida fraterna, de gente que se dispõe a caminhar juntos, a conviver e a trabalhar juntos na missão da Igreja”.


SÍNODO DOS JOVENS

Dom Sergio da Rocha, que também é Relator Geral do Sínodo sobre os jovens e o discernimento vocacional, falou o que o Papa Francisco pediu em relação a esse evento da Igreja: “mais uma vez, o Papa Francisco insistiu, com razão, na importância de ouvir os jovens. Não o simples escutar, mas o procurar acolher os seus anseios, suas preocupações, suas angustias e também suas propostas. E acolher a pluralidade da juventude. Juventude no plural, isto é, considerar os vários rostos dos jovens. Às vezes, há o risco de ficar apenas com um determinado tipo de jovem, quando na sociedade, nós temos vários. Por que isso? Porque queremos que todos sejam os mesmos discípulos e discípulas de Jesus, como jovens, mas também como missionários e missionárias como jovens”.

O cardeal lembrou que o texto Instrumento de Trabalho está sendo finalizado: “Estamos procurando acolhera as contribuições da reunião pré-sinodal, ocorrida recentemente. E, claro, há muito tempo estão sendo acolhidas as contribuições das conferências episcopais e daquele que contribuíram através da internet da página online. Mas os quem fará uma acolhida efetiva serão aqueles que estarão participando da assembleia sinodal”.

SÍNODO EXTRAORDINÁRIO DA AMAZÔNIA

“É para 2019, mas não há como a Igreja no Brasil, de modo especial o episcopado brasileiro não acompanhar atentamente e, de certo modo, já se envolver no processo de preparação para o Sínodo da Amazônia […] E o Papa já constituiu um Conselho Especial para o Sínodo e nele temos a presença de bispos brasileiros, mas o Brasil todo é convidado a se envolver. Na conversa com o próprio Papa, fica muito claro essa atenção especial que o Papa quer dar e que a Igreja deve dar à Amazônia para que a Igreja na Amazônia posso cumprir bem sua missão na realidade específica da Amazônia. Mas, é claro que não pode ser algo que diz respeito s[o a quem está na Amazônia. Os bispos da Amazônia, de modo especial, são os primeiros participantes, os protagonistas, mas o que se quer com esse Sínodo é que o conjunto da Igreja se sinta responsável pela Amazônia, é que também o Brasil todo se sinta responsável, que o episcopado todo do Brasil, de alguma maneira, tenha sua participação  e sinta responsável pela vida e missão da Igreja na Amazônia”, disse dom Sergio.

Fonte: WWW.CNBB.ORG.BR – 07/04/2018 – Entrevista com Dom Sérgio, Presidente da CNBB.

 

 

Encontro sobre os 5 anos do Papa Francisco

5 ANOS DO PAPA FRANCISCO – IGREJA EM SAÍDA
PROGRAMAÇÃO

Segunda-feira – Dia 23 de abril – CONFERÊNCIA:

‘IGREJA EM SAÍDA RUMO ÀS PERIFERIAS GEOOGRÁFICAS E EXISTENCIAIS’: do Concílio até papa Francisco; o laicato no caminho de renovação das Igrejas e na superação da violência.

Palestrantes:
Dr. Pe. Francisco de Aquino Júnior, filósofo, teólogo  e professor da Faculdade Católica de Fortaleza-FCF
Elizabeth Cristina de Oliveira, teóloga da Igreja Metodista.

Terça-feira – Dia 24 de abril – CONFERÊNCIA:

PRÁTICAS ECLESIAIS COMUNS PARA O DIÁLOGO ECUMÊMICO, INTER-RELIGIOSO E SOCIAL RUMO AO REINADO DE DEUS, POR UMA SOCIEDADE DE PAZ.

Palestrantes:
Dom Gabriel Marchesi, Bispo de Floresta (Diocese de Pernambuco)
Pr. Claudio Ribeiro, teólogo da Igreja Metodista

 Quarta-feira – Dia 25 de abril – CONFERÊNCIA:

JUSTIÇA SÓCIO AMBIENTAL: A ENCÍCLICA ‘LAUDATO SI’ E OS ENCONTROS DE PAPA FRANCISCO COM OS MOVIMENTOS SOCIAIS. IGREJAS CRISTÃS: A VIOLÊNCIA CONTRA A HUMANIDADE.

Palestrantes:
Dr. Pe. Manfredo Araújo de Oliveira, filósofo e teólogo, professor emérito da Universidade Federal do Ceará-UFC
Pr. Claudio Ribeiro, teólogo da Igreja Metodista

INFORMAÇÕES:

Local: Faculdade Católica de Fortaleza – FCF
Rua Tenente Benévolo, 201 – Centro – Fortaleza-Ce.
Auditório Aloísio Cardeal Lorscheider

Horário: 18h30 às 22h
ENTRADA GRATUITA!
Informações: (85) 99969.2314

Realização:
MOVIMENTO FÉ E POLÍTICA
GRUPO IGREJA EM SAÍDA

Atualizado em 7 de abril de 2018 – Setor Comunicação FCF

Últimas vagas para encontro com indicado Nobel da Paz 2018, em Fortaleza

RECIPAR acontecerá pela primeira vez na capital cearense dia 9 de abril.

O RECIPAR – Secretaria Paroquial e Liderança Pastoral será realizado pela primeira vez em Fortaleza, dia 9 de abril, no Hotel Sonata. O encontro realizado pela Promocat traz entre os conferencistas, o indicado ao Nobel da Paz 2018 Luiz Gabriel Tiago, doutor em educação no trabalho, escritor, palestrante, especialista em gentileza corporativa e fundador da empresa social “Pontinho de Luz”, entidade que doa por mês uma média de dez toneladas de produtos de primeiras necessidades. Pela atividade desenvolvida, O Sr. Gentileza como ficou conhecido foi indicado à honraria do Nobel da Paz.

O encontro oferecerá certificação acadêmica pela Faculdade Católica de Fortaleza- FCF e está oferecendo facilidades para inscrições em grupo. O RECIPAR tem por objetivo auxiliar o participante desenvolver na prática, suas habilidades, vocação, experiência, com temas propostos exclusivamente para gerar mais eficiência, qualidade no atendimento, produtividade, motivação pelo seu exercício na instituição.

Integra a programação do encontro palestra sobre ‘Gestão compartilhada: liderança e serviço’, com Aristides Luis Madureira, escritor e diretor da Editora “A Partilha”, ‘Eficácia no secretariado: administração do tempo com foco em prioridades como sinônimo de profissionalismo e agilidade’, com Everton Barbosa, assessor de imprensa na Arquidiocese de Maringá; ‘Sua Marca Pessoal pode ir Além! Propósito – Estratégia – Ação e Gestão!’, com Daniela Viek, profissional de marketing pessoal que pretende oferecer ao secretariado como desenvolver sua marca pessoal em um mundo cada vez mais conectado e ‘Secretaria digital: como ampliar o atendimento utilizando sites, e-mails e redes sociais’, com Fábio Castro, diretor geral da Promocat e idealizador do projeto RECIPAR.

As Vagas são limitadas e as inscrições são feitas no site do encontro: http://recipar.catholicus.org.br/

Por: Vanderlúcio Souza, Seminarista da Arquidiocese de Fortaleza e Jornalista / MTB 3484/CE

 

“As famílias de hoje” – Primeira Catequese de preparação para o IX Encontro Mundial das Famílias

Apresentada primeira catequese preparatória para o Encontro Mundial das Famílias

“As famílias de hoje”, este é o tema da primeira catequese de preparação para o IX Encontro Mundial das Famílias, a qual traz a Família de Nazaré como modelo a ser seguido frente às diversas situações do dia a dia.

O texto e o vídeo foram lançados no dia 3 de fevereiro e apresentam uma reflexão a partir do Evangelho de São Lucas que narra quando José e Maria encontraram Jesus no templo pregando para os doutores, após se perderem dele ao retornar de Jerusalém para casa.

“Nós certamente esperamos a narração de uma página idílica da Sagrada Família, um pouco como a dos comerciais, em que todos os membros da família são lindos, sempre sorridentes e brilhantes, em total e absoluto entendimento mútuo, no entanto, com a nossa grande maravilha, o Evangelho nos dá outra história. Para usar um termo muito na moda hoje, a Família de Nazaré ‘entra em crise’”, assinala o texto.

Nesse sentido, ressalta que “o ponto fundamental, então, não é a ausência de crise nas famílias (não há uma única família, nem mesma a Sagrada Família, que esteja isenta), mas como reagir diante de qualquer crise”.

“A história de Lucas em sua previsão e concretude oferece a todas as famílias as coordenadas fundamentais que tornam uma verdadeira escola de vida para todos”, pontua.

Ao destrinchar este trecho do Evangelho de São Lucas, a catequese ressalta alguns pontos que devem ser considerados por pais em suas relações com os filhos, entre os quais está o chamado “desafio educacional”.

Sobre este tema, recorda a indicação dada pelo Papa Francisco na exortação apostólica Amoris Laetitia, na qual o Pontífice afirma que “a obsessão, porém, não é educativa; e também não é possível ter o controle de todas as situações onde um filho poderá chegar a encontrar-se”.

Assim, segundo o numeral 261 da exortação, “a grande questão não é onde está fisicamente o filho, com quem está neste momento, mas onde se encontra em sentido existencial, onde está posicionado do ponto de vista das suas convicções, dos seus objetivos, dos seus desejos, do seu projeto de vida”.

A catequese recorda que muitos pais cuidam para que os filhos possam aprender muitas atividades ou mesmo empurram os filhos para realizar aquilo que eles mesmos desejavam na juventude, porém sem ouvir “o mundo interior do seu coração”.

“José e Maria correram esse risco – recorda o texto –, com toda a angústia que isso implica, e somente após três dias, três dias muito longos e intermináveis, encontram Jesus no templo”.

E neste ponto, “sua primeira reação é o espanto”, porque, como recorda Amoris Laetitia, “é inevitável que cada filho nos surpreenda com os projetos que brotam desta liberdade”, cabendo à educação “a tarefa de promover liberdades responsáveis, que, nas encruzilhadas, saibam optar com sensatez e inteligência”.

Por isso, assegura a catequese, “diante do mistério do filho, a atitude mais verdadeira nunca pode ser a de julgamento, da desilusão, da acusação, da condenação”. Pelo contrário, “a atitude mais sagrada é a abertura para as surpresas de Deus”.

E frente a estas situações, “o Evangelho não desumaniza o coração do homem, mas respeita e dá voz aos sentimentos, que não são nem bons nem maus, e, ao mesmo tempo, ensina-nos como nos relacionar com nossos sentimentos: sempre devemos questionar-nos e perguntar”.

Foi o que Maria fez diante de Jesus, falando também em nome de José, quando o questiona: “Filho, por que agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”. Esta interrogação, conforme explica a catequese, “em poucas linhas nos abre ao verdadeiro mistério da parentalidade”.

“O filho sempre continua sendo um filho e, como tal, sempre deve ser chamado, reconhecido e amado”. Além disso, a este “precisa sempre perguntar, questionar, nunca para ser acusado e condenado, e um pai nunca deve ter medo de se colocar no relacionamento com seu filho”.

“Maria vai ainda mais além. Ela evidencia não apenas a relação entre pais e filho, mas a relação entre pai e mãe e filho em sua completude e integridade”, indica, ao ressaltar que a Virgem fala “primeiro” em nome de José e depois em seu nome, expressando, assim, “uma ordem extraordinária da paternidade e da maternidade em relação à prole”.

“Não se trata do amor do pai e da mãe separadamente, mas também do amor entre eles, captados como fonte da própria existência, como ninho acolhedor e como fundamento da família”.

Além disso, assinala a catequese, é Maria quem fala a Jesus, e não José, porque “porque ela tem um relacionamento de maior proximidade e intimidade com seu filho, mas ao mesmo tempo (uma coisa que deveriam aprender a fazer sempre todas as mães de hoje) ela atua como intermediária de José e afirma a antecedência da paternidade em relação a maternidade”.

Nesse sentido, trata-se de algo “longe de um discurso cultural, social ou moral” de prioridade do pai sobre a mãe. Ao contrário, “a história do Evangelho projeta nosso olhar muito mais longe, mais profundo e mais alto: o pai é como um sinal da Paternidade de Deus”.

Além disso, acrescenta, “se Maria e José podem interagir como mãe e pai em relação a Jesus, é porque sua cumplicidade conjugal está viva”.

“Com que frequência esquecemos que o fundamento da parentalidade não é a prole (não nos tornamos pais unicamente com o nascimento natural do filho, e José é um testemunho concreto), mas com a conjugalidade do casal”, sublinha.

Por isso, ao concluir, a catequese questiona: “Queremos aprender a ser uma família? Vamos jogar fora o modelo idealista que temos em nossa cabeça e olhemos para a Sagrada Família, que mostra a todos como os eventos críticos da vida são uma fonte inesgotável de graça e de santificação para o mundo inteiro”.

Fonte: Vaticano, 6/2/2018 (ACI – Digital)

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2018

“Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos” (Mt 24, 12)

Amados irmãos e irmãs!

Mais uma vez vamos encontrar-nos com a Páscoa do Senhor! Todos os anos, com a finalidade de nos preparar para ela, Deus na sua providência oferece-nos a Quaresma, “sinal sacramental da nossa conversão”,[1] que anuncia e torna possível voltar ao Senhor de todo o coração e com toda a nossa vida.

Com a presente mensagem desejo, este ano também, ajudar toda a Igreja a viver, neste tempo de graça, com alegria e verdade; faço-o deixando-me inspirar pela seguinte afirmação de Jesus, que aparece no evangelho de Mateus: “Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos” (24, 12).

Esta frase situa-se no discurso que trata do fim dos tempos, pronunciado em Jerusalém, no Monte das Oliveiras, precisamente onde terá início a paixão do Senhor. Dando resposta a uma pergunta dos discípulos, Jesus anuncia uma grande tribulação e descreve a situação em que poderia encontrar-se a comunidade dos crentes: à vista de fenômenos espaventosos, alguns falsos profetas enganarão a muitos, a ponto de ameaçar apagar-se, nos corações, o amor que é o centro de todo o Evangelho.

Os falsos profetas
Escutemos este trecho, interrogando-nos sobre as formas que assumem os falsos profetas?

Uns assemelham-se a “encantadores de serpentes”, ou seja, aproveitam-se das emoções humanas para escravizar as pessoas e levá-las para onde eles querem. Quantos filhos de Deus acabam encandeados pelas adulações dum prazer de poucos instantes que se confunde com a felicidade! Quantos homens e mulheres vivem fascinados pela ilusão do dinheiro, quando este, na realidade, os torna escravos do lucro ou de interesses mesquinhos! Quantos vivem pensando que se bastam a si mesmos e caem vítimas da solidão!

Outros falsos profetas são aqueles “charlatães” que oferecem soluções simples e imediatas para todas as aflições, mas são remédios que se mostram completamente ineficazes: a quantos jovens se oferece o falso remédio da droga, de relações passageiras, de lucros fáceis mas desonestos! Quantos acabam enredados numa vida completamente virtual, onde as relações parecem mais simples e ágeis, mas depois revelam-se dramaticamente sem sentido! Estes impostores, ao mesmo tempo que oferecem coisas sem valor, tiram aquilo que é mais precioso como a dignidade, a liberdade e a capacidade de amar. É o engano da vaidade, que nos leva a fazer a figura de pavões para, depois, nos precipitar no ridículo; e, do ridículo, não se volta atrás. Não nos admiremos! Desde sempre o demônio, que é “mentiroso e pai da mentira” (Jo 8, 44), apresenta o mal como bem e o falso como verdadeiro, para confundir o coração do homem. Por isso, cada um de nós é chamado a discernir, no seu coração, e verificar se está ameaçado pelas mentiras destes falsos profetas. É preciso aprender a não se deter no nível imediato, superficial, mas reconhecer o que deixa dentro de nós um rasto bom e mais duradouro, porque vem de Deus e visa verdadeiramente o nosso bem.

Um coração frio
Na Divina Comédia, ao descrever o Inferno, Dante Alighieri imagina o diabo sentado num trono de gelo;[2] habita no gelo do amor sufocado. Interroguemo-nos então: Como se resfria o amor em nós? Quais são os sinais indicadores de que o amor corre o risco de se apagar em nós?

O que apaga o amor é, antes de mais nada, a ganância do dinheiro, “raiz de todos os males” (1 Tm 6, 10); depois dela, vem a recusa de Deus e, consequentemente, de encontrar consolação n’Ele, preferindo a nossa desolação ao conforto da sua Palavra e dos Sacramentos.[3] Tudo isto se permuta em violência que se abate sobre quantos são considerados uma ameaça para as nossas “certezas”: o bebê nascituro, o idoso doente, o hóspede de passagem, o estrangeiro, mas também o próximo que não corresponde às nossas expectativas.

A própria criação é testemunha silenciosa deste resfriamento do amor: a terra está envenenada por resíduos lançados por negligência e por interesses; os mares, também eles poluídos, devem infelizmente guardar os despojos de tantos náufragos das migrações forçadas; os céus – que, nos desígnios de Deus, cantam a sua glória – são sulcados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte.

E o amor resfria-se também nas nossas comunidades: na Exortação apostólica Evangelii gaudium procurei descrever os sinais mais evidentes desta falta de amor. São eles a acédia egoísta, o pessimismo estéril, a tentação de se isolar empenhando-se em contínuas guerras fratricidas, a mentalidade mundana que induz a ocupar-se apenas do que dá nas vistas, reduzindo assim o ardor missionário.[4]

Que fazer?
Se porventura detectamos, no nosso íntimo e ao nosso redor, os sinais acabados de descrever, saibamos que, a par do remédio por vezes amargo da verdade, a Igreja, nossa mãe e mestra, nos oferece, neste tempo de Quaresma, o remédio doce da oração, da esmola e do jejum.

Dedicando mais tempo à oração, possibilitamos ao nosso coração descobrir as mentiras secretas, com que nos enganamos a nós mesmos,[5] para procurar finalmente a consolação em Deus. Ele é nosso Pai e quer para nós a vida.

A prática da esmola liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão: aquilo que possuo, nunca é só meu. Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos! Como gostaria que, como cristãos, seguíssemos o exemplo dos Apóstolos e víssemos, na possibilidade de partilhar com os outros os nossos bens, um testemunho concreto da comunhão que vivemos na Igreja. A este propósito, faço minhas as palavras exortativas de São Paulo aos Coríntios, quando os convidava a tomar parte na coleta para a comunidade de Jerusalém: “Isto é o que vos convém” (2 Cor 8, 10). Isto vale de modo especial na Quaresma, durante a qual muitos organismos recolhem coletas a favor das Igrejas e populações em dificuldade. Mas como gostaria também que no nosso relacionamento diário, perante cada irmão que nos pede ajuda, pensássemos: aqui está um apelo da Providência divina. Cada esmola é uma ocasião de tomar parte na Providência de Deus para com os seus filhos; e, se hoje Ele Se serve de mim para ajudar um irmão, como deixará amanhã de prover também às minhas necessidades, Ele que nunca Se deixa vencer em generosidade?[6]

Por fim, o jejum tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento. Por um lado, permite-nos experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome. Por outro, expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus. O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome.

Gostaria que a minha voz ultrapassasse as fronteiras da Igreja Católica, alcançando a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, abertos à escuta de Deus. Se vos aflige, como a nós, a difusão da iniquidade no mundo, se vos preocupa o gelo que paralisa os corações e a ação, se vedes esmorecer o sentido da humanidade comum, uni-vos a nós para invocar juntos a Deus, jejuar juntos e, juntamente conosco, dar o que puderdes para ajudar os irmãos!

O fogo da Páscoa
Convido, sobretudo os membros da Igreja, a empreender com ardor o caminho da Quaresma, apoiados na esmola, no jejum e na oração. Se por vezes parece apagar-se em muitos corações o amor, este não se apaga no coração de Deus! Ele sempre nos dá novas ocasiões, para podermos recomeçar a amar.

Ocasião propícia será, também este ano, a iniciativa “24 horas para o Senhor”, que convida a celebrar o sacramento da Reconciliação num contexto de adoração eucarística. Em 2018, aquela terá lugar nos dias 9 e 10 de março – uma sexta-feira e um sábado –, inspirando -se nestas palavras do Salmo 130: “Em Ti, encontramos o perdão” (v. 4). Em cada diocese, pelo menos uma igreja ficará aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e da confissão sacramental.

Na noite de Páscoa, reviveremos o sugestivo rito de acender o círio pascal: a luz, tirada do “lume novo”, pouco a pouco expulsará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica. “A luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, nos dissipe as trevas do coração e do espírito”,[7] para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: ouvir a palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor.

Abençoo-vos de coração e rezo por vós. Não vos esqueçais de rezar por mim.

Vaticano, 1 de Novembro de 2017
Solenidade de Todos os Santos

Francisco

[1] Missal Romano, I Domingo da Quaresma, Oração Coleta.
[2] “Imperador do reino em dor tamanho / saía a meio peito ao gelo baço” (Inferno XXXIV, 28-29).
[3] “É curioso, mas muitas vezes temos medo da consolação, medo de ser consolados. Aliás, sentimo-nos mais seguros na tristeza e na desolação. Sabeis porquê? Porque, na tristeza, quase nos sentimos protagonistas; enquanto, na consolação, o protagonista é o Espírito Santo” (Angelus, 7/XII/2014).
[4] Nn. 76-109.
[5] Cf. Bento XVI, Carta enc. Spe salvi, 33.
[6] Cf. Pio XII, Carta enc. Fidei donum, III.
[7] Missal Romano, Vigília Pascal, Lucernário.

Fonte: w2.vatican.va

 

 

Recipar 2018 terá certificação da Católica de Fortaleza

Encontro traz entre os palestrantes indicado ao Nobel da Paz.

O RECIPAR – Secretaria Paroquial e Liderança Pastoral será realizado pela primeira vez em Fortaleza, dia 9 de abril, no Hotel Sonata. O encontro realizado pela Promocat tem por objetivo auxiliar o participante desenvolver na prática, suas habilidades, vocação, experiência, com temas propostos exclusivamente para gerar mais eficiência, qualidade no atendimento, produtividade, motivação pelo seu exercício na instituição. O encontro oferecerá certificação de 10horas/aula pela Faculdade Católica de Fortaleza – FCF.

O RECIPAR traz para Fortaleza o indicado ao Nobel da Paz 2018, Luiz Gabriel Tiago, Doutor em Educação no Trabalho, Escritor, Palestrante, Especialista em Gentileza Corporativa e fundador da empresa social “Pontinho de Luz”, entidade que doa por mês uma média de dez toneladas de produtos de primeiras necessidades. Pela atividade desenvolvida, O Sr. Gentileza como ficou conhecido foi indicado à honraria do Nobel da Paz.

Ainda integra a programação do encontro palestra sobre  ‘Gestão compartilhada: liderança e serviço’, com Aristides Luis Madureira, escritor e diretor da Editora “A Partilha” que atua há mais de 20 anos como missionário na Pastoral do Dízimo, aplicando técnicas de gestão paroquial e fomentando mais incentivo para uma Igreja viva; ‘Eficácia no secretariado: administração do tempo com foco em prioridades como sinônimo de profissionalismo e agilidade’, com Everton Barbosa, assessor de imprensa na Arquidiocese de Maringá, escritor e palestrante com uma dinâmica inovadora que leva o participante a aprimorar seu trabalho com coesão, planejamento e prática.

‘Sua Marca Pessoal pode ir Além! Propósito – Estratégia – Ação e Gestão!’, é o tema de Daniela Viek, profissional de marketing pessoal que pretende oferecer ao secretariado como desenvolver sua marca pessoal em um mundo cada vez mais conectado; ‘Secretaria digital: como ampliar o atendimento utilizando sites, e-mails e redes sociais’, com Fábio Castro, diretor geral da Promocat e idealizador do projeto Recipar.

O RECIPARchega a Fortaleza para atender funcionários, colaboradores e também aos voluntários que exercem funções de secretaria e liderança nas paróquias, cúrias, casas religiosas, Movimentos Eclesiais, Novas Comunidades e demais entidades ligadas à Igreja Católica do Regional Nordeste I, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Mais sobre a Católica de Fortaleza

A Faculdade Católica de Fortaleza – FCF, continuadora da missão do Seminário da Prainha, tradição no Ensino Superior em Filosofia e Teologia desde 1864, é hoje uma Instituição reconhecida pelo Ministério da Educação e quer ser presença na vida Acadêmica na Igreja e na Sociedade. A FCF atualmente oferece os Cursos de Graduação: Bacharelado em Filosofia e  Bacharelado em Teologia; Licenciatura em Filosofia e Licenciatura em Ciências Sociais (Turno da Noite), além de Cursos de Pós-Graduação (áreas de Filosofia, Sagradas Escrituras, Família, Estudos de Logoterapia, Gestão em Bibliotecas Públicas) e Extensão (Módulos de Libras, Línguas, Eclesiais, etc).

SERVIÇO

As Vagas são limitadas e as inscrições são feitas pelo site do encontro: http://recipar.catholicus.org.br/

Autor: Vanderlúcio Souza, Seminarista da Arquidiocese de Fortaleza e Jornalista